segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vacina gênica contra a Tuberculose

BIOTECNOLOGIA E VACINAS GÊNICAS
"A vacina gênica - ou vacina de DNA -, ainda em fase de experimento e padronização, pode se tornar a maior promessa de combate a doenças infecciosas para as quais até hoje não existe prevenção segura, como herpes, AIDS, malária, tuberculose, hepatite, esquistossomose e dengue entre outras". A afirmação é do pesquisador Célio Lopes Silva, coordenador do Laboratório de Vacinas Gênicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

Ele explica que para a produção da vacina gênica, os cientistas retiram do agente causador da doença, que pode ser um vírus, bactéria, fungo ou parasita, um pedaço da molécula de DNA, onde fica seu código genético. Quando inoculado nos animais ou em humanos, esse pedaço de DNA que codifica uma proteína imunogênica, ou um fator de virulência, tem a potencialidade de induzir o sistema imunológico a produzir anticorpos ou estimular a imunidade mediada por células, principalmente linfócitos T auxiliares ou citotóxicos (uma das principais células de defesa de nosso organismo), protegendo contra a infecção causada pelo agente patogênico de onde se originou o DNA.

Célio Silva explica que desde que iniciou as pesquisas sobre novos tratamentos contra a tuberculose, em 1990, os pesquisadores já sabiam quais os elementos do sistema imunológico deveriam ser ativados ou desativados para induzir proteção efetiva contra a infecção. Até agora, em relação às substâncias do bacilo que estimulam as células para imunizar o paciente, o grupo da USP já estudou dezenas de proteínas em laboratório. Foi verificado que algumas delas possuem propriedades para estimular o sistema imunológico contra a tuberculose. Após várias tentativas com diferentes métodos de introdução dos antígenos nos animais, os pesquisadores da USP de Ribeirão Preto chegaram à conclusão de que a vacina de DNA seria a mais apropriada.
O método é considerado mais eficaz e seguro do que o de determinadas vacinas convencionais, que inoculam vírus ou bactérias vivas e atenuadas na pessoa para obrigar o sistema imunológico a produzir anticorpos ou imunidade celular. Essas vacinas de organismos vivos e atenuados, embora funcionem muito bem, oferecem uma certa margem de risco de que a pessoa acabe contaminada pela doença que se pretende prevenir. Com a vacina de DNA isso não acontece.
E Célio Silva explica porquê: "Atualmente, o isolamento de genes ou DNAs é uma técnica dominada pela ciência devido ao grande desenvolvimento da biologia molecular nos últimos anos. Os genes, freqüentemente relacionados com a virulência ou patogenia dos agentes infecciosos, são ligados a outros fragmentos de DNA, denominados plasmídeos, por técnicas de engenharia genética. Esse plasmídeo recombinante carrega a mensagem da vacina como se fosse um disquete contendo um arquivo de computador: quando aplicadas em animais, as células do sistema imunológico conseguem reconhecer aquela mensagem transmitida pelo plasmídeo como se fosse um computador e ocorre a ativação da resposta imunitária.
No caso da tuberculose, a ativação de linfócitos e macrófagos, que são as principais células de defesa do nosso organismo, resulta na destruição de células que albergam os bacilos da tuberculose em seu interior, ao mesmo tempo que ajuda a eliminá-los do organismo. Portanto, os estudos realizados em nosso laboratório sobre a capacidade das proteínas antigênicas em estimular de maneira adequada o sistema imunológico; o padrão de secreção de mediadores imunológicos (substâncias que levam as mensagens entre os diferentes componentes do sistema imunológico); a atividade citotóxica das células de defesa (capacidade de destruir as células infectadas com os bacilos); e o estudo sobre as células que guardam na 'memória' as informações para o combate aos bacilos, foram de fundamental importância para se estabelecer como o sistema imunológico protege contra a tuberculose e permitiu o desenvolvimento da vacina".
Para o pesquisador, as vacinas de DNA, além da imunidade humoral e celular específica, oferecem vantagens adicionais em relação às vacinas clássicas: "A vacinação, enquanto medida de saúde pública, requer a indução de imunidade duradoura. A maioria das vacinas usadas em programas de vacinação infantil requer a administração de sucessivas doses de reforço com revacinações periódicas. Com a vacina gênica esse problema seria resolvido uma vez que a imunidade adquirida persiste por longo período de tempo devido à constante produção do antígeno dentro da célula hospedeira e à capacidade destas de estimularem linfócitos de memória imunológica".
Célio Silva vai mais longe, apontando questões econômicas para o sucesso desse novo tipo de vacina: "Em termos econômicos, técnicos e logísticos, as vacinas de DNA oferecem uma série de vantagens quando comparadas com as vacinas clássicas, especialmente se considerarmos a sua utilização nas condições oferecidas pelos países em desenvolvimento. O custo de produção das vacinas gênicas em larga escala é significativamente menor do que o custo de produção das vacinas recombinantes, peptídeos sintéticos e outras. O controle de qualidade é mais fácil, e a comercialização não necessita de uma rede de refrigeração, pois estas vacinas são estáveis à temperatura ambiente. Estes fatores facilitam o transporte, a distribuição e o estabelecimento de amplos programas de imunizações em regiões de difícil acesso. As técnicas de biologia molecular permitem que se façam modificações na seqüências gênicas ou de DNA no sentido de melhorar a resposta imunológica. Estas manipulações genéticas podem dar subsídios para um melhor entendimento das relações entre estrutura e função dos antígenos frente à resposta imune desenvolvida. No plasmídeo contendo o gene do agente infeccioso pode-se ainda clonar outros genes, como por exemplo, os de componentes estimuladores da resposta imune (IL-2, IL-12 e IFN-gama) que auxiliam no processo de reconhecimento imunológico".
Segundo Célio Silva, três aspectos são fundamentais para o desenvolvimento de uma nova vacina.
1) O primeiro se correlaciona com a descoberta de quais células ou componentes da resposta imunitária são responsáveis pela proteção efetiva contra o agente agressor (mecanismo imunológico efetor). "A nossa equipe ficou estudando, por cinco anos, todo o sistema imunológico dos animais infectados com o bacilo da tuberculose, e quando iniciamos os estudos sobre a nova vacina já sabíamos quais os elementos que deveriam ser ativados ou desativados para induzir proteção efetiva contra a infecção", diz.
2) O segundo seria a descoberta de quais substâncias do bacilo (antígenos) conseguem estimular especificamente as células ou componentes da resposta imunitária descrita acima. "Até o momento já foram estudadas dezenas dessas proteínas em nosso laboratório e algumas delas possuem as propriedades para estimular o sistema imunológico contra a tuberculose", afirma o pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
3) Em terceiro, qual seria a melhor maneira de se administrar esses antígenos nos animais para induzir uma resposta imunitária específica e potente contra o agente infeccioso em todos os indivíduos vacinados. "Após várias tentativas com diferentes métodos de introdução dos antígenos nos animais, chegamos a conclusão de que a vacina de DNA seria a mais apropriada", diz o pesquisador.

A vacina de DNA (ou vacina gênica) pode ser aplicada por via intramuscular e a imunidade que confere persiste por longo período de tempo, graças à constante produção do antígeno dentro das células dos indivíduos vacinados. Esse fato dispensa revacinações.

Empresa americana inicia 1º teste clínico com célula-tronco embrionária

Empresa americana inicia 1º teste clínico com célula-tronco embrionária

Paciente teve lesão medular recente; fase 1 analisará segurança da terapia.
A Geron é a primeira a receber autorização do FDA para aplicação humana.

Do G1, com informações de agências
Um paciente nos Estados Unidos é o primeiro a receber células-tronco embrionárias, anunciou nesta segunda-feira (11) a empresa de biotecnologia Geron. Mas os detalhes do teste clínico são mantidos em sigilo. "O começo do teste clínico GRNOPC1 é uma etapa importante para as terapias humanas baseadas nas células-tronco embrionárias", afirmou em comunicado Thomas Okarma, presidente da Geron.
No Brasil, as pesquisas com células-tronco de embriões humanos foram consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em 29 de maio de 2008. Por seis votos contra cinco, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias sem nenhuma restrição, como previsto na Lei de Biossegurança.

11/10/2010 12h58 - Atualizado em 11/10/2010 16h07

Empresa americana inicia 1º teste clínico com célula-tronco embrionária

Paciente teve lesão medular recente; fase 1 analisará segurança da terapia.
A Geron é a primeira a receber autorização do FDA para aplicação humana.

Do G1, com informações de agências
Um paciente nos Estados Unidos é o primeiro a receber células-tronco embrionárias, anunciou nesta segunda-feira (11) a empresa de biotecnologia Geron. Mas os detalhes do teste clínico são mantidos em sigilo. "O começo do teste clínico GRNOPC1 é uma etapa importante para as terapias humanas baseadas nas células-tronco embrionárias", afirmou em comunicado Thomas Okarma, presidente da Geron.
No Brasil, as pesquisas com células-tronco de embriões humanos foram consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em 29 de maio de 2008. Por seis votos contra cinco, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias sem nenhuma restrição, como previsto na Lei de Biossegurança.
 

Células-tronco utilizadas  vêm de embriões humanos excedentes de tratamentos de fertilidade
A Geron é detentora da primeira licença do FDA, a agência que regula medicamentos e alimentos nos EUA, para o uso das células no tratamento de pacientes com lesões recentes na medula espinhal.
"O paciente foi cadastrado no Shepherd Center, hospital com 132 leitos e centro de pesquisas clínicas sobre reabilitação de lesões cerebrais e da medula espinhal, situado em Atlanta, Geórgia", disse a Geron em comunicado à imprensa.
A Geron fez todo o trabalho com verba própria, portanto não
está sujeita a eventuais limitações
ao financiamento federal de pesquisas com células-tronco embrionárias humanas
"O Shepherd Center é um dos sete centros potenciais nos EUA que poderão cadastrar pacientes no teste clínico." A Universidade Northwestern, em Chicago, também está pronta para cadastrar pacientes.
As células-tronco usadas pela Geron vêm de embriões humanos excedentes de tratamentos de fertilidade. Foram manipuladas para se tornarem precursoras de determinados tipos de células nervosas - elas poderão se converter em células destruídas pela lesão na medula do paciente.
O principal objetivo do teste clínico de fase 1 é avaliar a segurança e a tolerência às células derivadas de células-tronco embrionárias chamadas GRNOPC1 nas pessoas paralisadas depois de uma lesão na medula. Um dos receios entre os pesquisadores é que as células-tronco acabem gerando tumores. Os participantes no estudo devem ter sofrido lesão recentemente e receber as GRNOPC1 em um período de menos de 14 dias, informou a Geron.


Teste de fase 1 não tem por objetivo curar o paciente, mas determinar se as células são seguras
A esperança é que as células-tronco se desloquem até o local da lesão e liberem compostos que ajudem os nervos lesionados da medula a se regenerar.
O teste de fase 1 não terá por objetivo curar pacientes, mas determinar se as células são seguras para uso. Pelas diretrizes definidas para o teste, os pacientes devem apresentar lesões muito recentes.
A Geron afirmou que o Shepherd Center vai manter em sigilo as informações sobre o pacientes.
Dinheiro próprio
Como a Geron fez todo seu trabalho com verbas próprias, ela não é sujeita às limitações impostas ao financiamento federal de pesquisas com células-tronco embriônicas humanas.
O governo dos EUA está atualmente envolvido em uma disputa legal em torno das células-tronco. Semanas depois de tomar posse, em 2009, o presidente Barack Obama emitiu uma ordem executiva reduzindo as restrições ao financiamento federal das pesquisas com células-tronco embrionárias humanas.
Os adversários do uso das células-tronco dizem que é eticamente inaceitável utilizar um embrião humano para produzir as células, e dois pesquisadores processaram os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês). Uma corte federal de apelações decidiu continuar a autorizar o financiamento federal dos estudos até que a ação seja julgada.
No Brasil
No Brasil, o julgamento sobre o uso de células-tronco embrionárias humanas começou em março de 2008. A discussão foi interrompida por um pedido de vista do então ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Em 28 de março daquele ano, o tema voltou à pauta do STF. Depois de quase 11 horas, o julgamento foi novamente suspenso. Só foi concluído após quase cinco horas de sessão.
Aprovada pelo Congresso Nacional em 2005, a Lei de Biossegurança foi alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) do então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. Ele alegava que a legislação feria a proteção constitucional do direito à vida e a dignidade da pessoa humana. Para Fonteles, a vida humana começa com a fecundação.
Após o resultado, o mais antigo ministro do Supremo, Celso de Mello, explicou que não seria preciso nenhuma regulamentação extra no texto da lei. “O tribunal confirmou a inteira validade do artigo 5º da Lei de Biossegurança e liberou as pesquisas, observados os limites estabelecidos pelo próprio artigo”, resumiu.
A lei prevê que os embriões usados nas pesquisas sejam inviáveis ou estejam congelados há três anos ou mais e veta a comercialização do material biológico. Também exige a autorização do casal.
“Foi um julgamento histórico, em que o tribunal discutiu os limites entre a vida e morte. São questões que interessam à generalidade das pessoas”, comentou Celso de Mello, que votou pela liberação dos estudos.

Com informações da Reuters e da France Presse